COMO ELES SE REPRODUZEM?

Morcegos são mamíferos com uma história de vida interessantíssima, pois a maioria não ultrapassa os 100 g de peso corporal, porém todos vivem bastante em relação a mamíferos do mesmo porte e se reproduzem bem lentamente (Barclay et al., 2004).

Estudo clássicos estrangeiros demonstraram que os morcegos, em sua maioria (principalmente os da sub-ordem Microchiroptera), têm apenas um filhote por ninhada, sendo que quase todas as espécies têm apenas um par de tetas (Nowak, 1994). Há exceções não muito raras, em que uma fêmeas têm dois gêmeos e casos especiais, como no gênero Lasiurus (vespertilionídeo que tem dois pares de tetas), em que é possível ocorrerem até quatro filhotes em uma única ninhada. Ninhadas maiores do que essa nunca foram vistas na natureza, nem em cativeiro.

Apesar de a maioria das informações ter sido coletada nas regiões Paleártica e Neártica, muitos trabalhos já foram feitos sobre espécies neotropicais, sendo que os estudos demográficos mais detalhados têm se concentrado mais na América Central. No Brasil há grupos estudando a ecologia e a fisiologia reprodutiva de filostomídeos, molossídeos e vespertilionídeos.

Os trabalhos demográficos brasileiros presentes na literatura têm relatado padrões reprodutivos similares aos encontrados em trabalhos realizados em outros países latino-americanos. De um modo geral, descobriu-se até hoje quatro padrões reprodutivos básicos para os morcegos neotropicais, primeiramente listados por Fleming et al. (1973), em seu trabalho clássico na América Central, e posteriormente por Taddei (1980), que comentou casos brasileiros:

  1. - monestria estacional: um único pico reprodutivo durante o ano;

  2. - poliestria estacional: dois ou três picos reprodutivos durante o ano;

  3. - longo período reprodutivo, com um pequeno período de inatividade reprodutiva;

  4. - reprodução ao longo do ano todo, sem estações definidas.

Há fenômenos bem interessantes relacionados à reprodução dos morcegos. Um dos principais é conhecido como "estro pós-parto" e consiste na capacidade que as fêmeas de algumas espécies têm de se tornarem férteis logo após darem à luz seus filhotes, o que acaba sendo a principal causa do padrão bimodal observado no ciclo reprodutivo de morcegos como Carollia perspicillata e Sturnira lilium. Outro fenômeno bem interessante é a "implantação atrasada", que ocorre quando zigotos não se implantam prontamente no útero após a fertilização, sendo armazenados temporariamente, até que o organismos deixe a gravidez prosseguir em um época mais favorável (dependendo da oferta de alimentos e da temperatura).