QUANTOS TIPOS DE MORCEGOS HÁ?

A ordem Chiroptera, com ao todo pelo menos 1.116 espécies (Simmons 2005), se divide em duas subordens, Megachiroptera (raposas-voadoras; apenas 1 família) e Microchiroptera (todos os outros morcegos; 17 famílias). Os morcegos brasileiros são todos microquirópteros. As 18 famílias estão listadas abaixo.

No Brasil, sabe-se atualmente que há pelo menos 167 espécies (Reis et al. 2007), um número que certamente vai aumentar nos próximos anos, conforme forem feitos mais inventários e estudos taxonômicos. Clique aqui para ver a última lista oficial das espécies de morcegos brasileiros, que está no final do livro Morcegos do Brasil. Um nova lista mais atualizada com pelo menos 170 espécies será disponibilizada em breve, com a publicação do novo livro "Morcegos no Brasil: Biologia, Sistemática, Ecologia e Conservação" (Pacheco et al., no prelo), que deve ocorrer ainda em 2009.

Para referências taxonômicas e geográficas sobre todos os mamíferos do mundo, consulte a versão online do livro "Mammal Species of the World" (Wilson & Reeder 2005).


Famílias

  • Pteropodidae (única família da sub-ordem Megachiroptera)
  • Rhinopomatidae
  • Emballonuridae
  • Craseonycteridae
  • Nycteridae
  • Megadermatidae
  • Rhinolophidae
  • Hipposideridae
  • Mormoopidae
  • Noctilionidae
  • Phyllostomidae
  • Mystacinidae
  • Natalidae
  • Furipteridae
  • Thyropteridae
  • Myzopodidae
  • Vespertilionidae
  • Molossidae

 

Famílias que ocorrem no Brasil

  • Emballonuridae - os morcegos com sacos nas asas. Família amplamente distribuida nas regiões tropicais e subtropicais do Mundo. Têm a face e os lábios lisos, orelhas unidas no topo da cabeça e muitas espécies têm glândulas na região superior das asas (protopatágio). Sua habilidade em escalar superfícies inclinadas é notável; costumam habitar fendas de rochas, cavernas, ruínas, casas, árvores e folhagem. Majoritariamente alimentam-se de insetos e ocasionalmente de frutos.

  • Moormopidae - os morcegos cara-de-fantasma. Há apenas dois gêneros, Moormops e Pteronotus. Esses morcegos estão restritos à Região Neotropical, distribuindo-se do Sul do Arizona ao Brasil. Seus lábios são expandidos e ornamentados com várias dobras, formando um "funil" para a boca. Em algumas espécies, as membranas das asas de encontram nas costas, dando uma aparência "pelada". A cauda está presente em todos os membros da família. Possuem especializações para reduzir o peso das asas, permitindo um vôo mais rápido e com maior manobrabilidade. Costumam utilizar cavernas como refúgios, às vezes formando colônias muito numerosas.

  • Noctilionidae - os morcegos-pescadores (devido ao hábito alimentar) ou morcegos-buldogue (devido à aparência). Possui apenas um único gênero com duas espécies: Noctilio leporinus (grande) e Noctilio albiventris (pequeno). São restritos aos Neotrópicos; distribuem-se do Sul do México ao Norte da Argentina. Os lábios superiores de dividem em uma dobra vertical, formando um "lábio leporino". As patas traseiras de N. leporinus são muito desenvolvidas, especialização que o ajuda nas "pescarias", já que ele costuma capturar peixes cravando suas garras neles. Ambas as espécies comem insetos, sendo que apenas N. leporinus inclui o hábito piscívoro. A ecolocalização é muito apurada em ambas as espécies. Apenas outros dois gêneros de morcegos consomem peixes, Myotis (M. vivesi e M. adversus) e Megaderma. Utlizam como refúgios cavernas, ocos de árvores e às vezes construções humanas.

  • Phyllostomidae - os morcegos com folha nasal (do grego: phyllo = folha + stoma = boca). É uma família exclusiva das Américas, representando a maioria das espécies do Brasil (cerca de 50%). Possui 48 gêneros e 142 espécies. Sua característica mais evidente é a presença de um apêndice carnoso na extremidade do focinho, chamado "folha nasal", que ajuda no sistema de ecolocalização (biossonar). Nela encontram-se todos os tipos de hábitos alimentares de morcegos. Dentre as suas particularidades, pode-se citar a visão, olfato e audição muito bem desenvolvidos.

  • Natalidae - morcegos com orelha de funil. Distribuem-se em toda a Região Neotropical, sendo endêmicos da mesma. Há apenas um gênero, Natalus, e cinco espécies. Possuem corpo esguio, topo da cabeça alto em relação ao focinho, rabo comprido e totalmente contido no uropatágio, orelha em forma de funil, olhos pequenos e os machos têm o "órgão natalídeo" na face (com função glandular e sensorial). Comem insetos.

  • Furipteridae - morcegos enfumaçados. Ocorrem apenas na Região Neotropical. Há dois gêneros e duas espécies. São semelhantes aos natalídeos: a base das orelhas cobre parcialmente os olhos, as orelhas são em forma de funil, o polegar é pequeno e às vezes contido na membrana, as pernas são compridas e os pés curtos, a cauda é longa e não perfura o uropatágio, os dedos III e IV do pé são unidos; as fêmeas possuem um par de tetas abdominais. São insetívoros.

  • Thyropteridae - morcegos com ventosas. Família exclusivamente neotropical. Há apenas um gênero, Thyroptera, com duas espécies. A característica mais marcante da família é a presença de ventosas nos pulsos e solas dos pés, utilizadas para adesão à superfícies lisas, como folhas de Heliconia (habitual refúgio); assim como nos furipterídeos, os dedos III e IV do pé são unidos; orelhas em forma de funil e trago presente. Comem insetos.

  • Vespertilionidae - morcegos vespertilionídeos. É a família mais cosmopolita de morcegos, ocorrendo em toda a área de distribuição da ordem; ocorre altitudinalmente até o limite da "timberline". Há 42 gêneros e 355 espécies, o que a torna a família mais diversificada de morcegos. Têm cauda longa que se extende até o limite do uropatágio, formando um V; não possuem folha nasal ou estruturas faciais complexas; as orelhas são pequenas; alguns gêneros têm narinas tubulares; a coloração varia muito entre as espécies. Costumam refugiar-se em cavernas ou estruturas humanas similares, sendo uma das principais famílias a ocuparem forros de telhado no sudeste do Brasil e em vários locais do Mundo. Podem formar desde grupos pequenos até colônias com milhares de indivíduos. Em geral são insetívoros, mas Myotis vivesi consome também peixes e Antrozous palidus inclui lagartos em sua dieta.

  • Molossidae - morcegos de cauda-livre. Cosmopolitas, distribuem-se nas partes mais quentes do Mundo. Há 16 gêneros e 86 espécies. A cauda ultrapassa o uropatágio, razão do apelido da família; a asa é curta e estreita, adaptada para alta manobrabilidade, como nas andorinhas; o pelo é curto e com textura de veludo, sendo que Cheiromeles parece não ter pelos; algumas espécies tem cristas de pelos no topo da cabeça, como em Chaerophon; alguns gêneros, como Tadarida e Nyctinomops, possuem lábios franjados; as orelhas são pequenas. Assim como os vespertilionídeos, costumam habitar cavernas e ambientes similares, também sendo freqüentemente encontrados em forros de telhado. São somente insetívoros.

  • Molossidae - morcegos de cauda-livre. Cosmopolitas, distribuem-se nas partes mais quentes do Mundo. Há 16 gêneros e 86 espécies. A cauda ultrapassa o uropatágio, razão do apelido da família; a asa é curta e estreita, adaptada para alta manobrabilidade, como nas andorinhas; o pelo é curto e com textura de veludo, sendo que Cheiromeles parece não ter pelos; algumas espécies tem cristas de pelos no topo da cabeça, como em Chaerophon; alguns gêneros, como Tadarida e Nyctinomops, possuem lábios franjados; as orelhas são pequenas. Assim como os vespertilionídeos, costumam habitar cavernas e ambientes similares, também sendo freqüentemente encontrados em forros de telhado. São somente insetívoros.